Da redação
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de janeiro após 25 anos de negociações, ainda depende de ratificação parlamentar nos países dos dois blocos. O tratado gerou reações enfáticas e precisa ser analisado segundo o contexto histórico e geopolítico atual, especialmente diante da fragmentação internacional e das tensões internas no Mercosul. Para o Brasil, diversificar parcerias e ampliar relações com a UE são estratégias essenciais para evitar excessiva dependência de um único bloco de poder.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) alertou que os efeitos do acordo não são automáticos nem equilibrados: ele tende a favorecer modestamente o setor agroexportador, mas pode impor riscos à indústria de transformação, principalmente nos segmentos de média-alta e alta tecnologia, estratégicos para o desenvolvimento. Existe o risco de reforço da primarização da economia, limitando o avanço de setores industriais com maior valor agregado.
A indústria brasileira, diante de desafios como juros altos, infraestrutura insuficiente e um sistema tributário regressivo, pode ficar em desvantagem frente à concorrência chinesa e europeia, especialmente com a redução ou extinção progressiva das tarifas de importação. No Parlamento Europeu, a aprovação de uma resolução para que o Tribunal de Justiça da UE analise a legalidade do acordo pode atrasar sua ratificação por até dois anos, acrescentando incertezas jurídicas e políticas ao processo.
As concessões agrícolas conquistadas pelo Brasil junto à União Europeia têm limitações impostas por cotas e salvaguardas. O desafio central, segundo o texto, é transformar o acordo em instrumento de uma estratégia nacional que promova reconstrução produtiva, utilizando os prazos de desgravação tarifária como uma janela crítica para reindustrialização e inovação.
O texto destaca a importância das políticas industriais e da transição energética, defendendo que o acordo Mercosul-UE deve ser subordinado a estratégias de soberania, industrialização e justiça social, e não visto como solução autônoma para o desenvolvimento brasileiro.





