Destruição de escolas em Gaza coloca futuro de toda uma geração em risco, diz Unicef


Da redação

Mais de 90% das escolas em Gaza foram destruídas pela guerra, deixando 60% das crianças em idade escolar sem acesso ao ensino presencial, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O porta-voz do Unicef, James Elder, afirmou nesta terça-feira, em Genebra, que antes do conflito a região possuía uma das taxas de alfabetização mais altas do mundo. Elder ressaltou que “quase dois anos e meio de ataques às escolas de Gaza deixaram toda uma geração em risco”.

O representante da agência lembrou que escolas, universidades e bibliotecas foram destruídas, eliminando anos de progresso educacional. Elder destacou que não se trata apenas de destruição física, mas de um “ataque contra o futuro em si”. O Unicef defende que a restauração do sistema educacional em Gaza é “vital” e que o retorno das crianças às escolas deve ser prioridade. Quase metade da população local tem menos de 18 anos.

Em parceria com o Ministério da Educação palestino, a Unrwa e outros parceiros, o Unicef está ampliando o programa “De Volta ao Aprendizado”, com o objetivo de atender 336 mil crianças até o final de 2026. Os centros de aprendizagem oferecem ambientes seguros em meio a um território “frequentemente inacessível e perigoso”, garantindo serviços de saúde, nutrição e saneamento. Segundo Elder, a procura por vagas é “avassaladora”, com longas listas de espera.

Para garantir a matrícula de 336 mil crianças, o Unicef necessita de US$ 86 milhões. O custo anual por aluno é de US$ 280, incluindo apoio à saúde mental. No entanto, as estruturas utilizadas seguem precárias: muitas salas são tendas expostas ao calor e ao frio extremos.

Elder também pediu a reabertura urgente da passagem de Rafah, entre Egito e Gaza, fechada desde maio de 2024. O porta-voz considerou Rafah uma “tábua de salvação” para evacuações médicas, reunificação familiar e acesso a serviços essenciais. Segundo relatos, Israel concordou em reabrir a passagem após a recuperação dos restos mortais do último refém israelense em Gaza, Ran Gvili, sequestrado em 7 de outubro de 2023.