Forças de paz reforçam ação para evitar escalada do conflito no Sudão do Sul


Da redação

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (Unmiss) tem desempenhado um papel crucial na proteção da população local, em um país onde 9,3 milhões de pessoas, de uma população total de cerca de 13 milhões, dependem de assistência humanitária. Em entrevista à ONU News, o comandante da força de paz, tenente-general Mohan Subramanian, afirmou que nos últimos três anos, a Unmiss salvou mais de 162 mil pessoas. Além de atuar contra a violência, a missão também tem mitigado efeitos das alterações climáticas e promovido a construção de abrigos e estradas, facilitando a mobilidade, atividades econômicas e o acesso a emergência.

A Unmiss, por meio de unidades médicas, também presta cuidados de saúde de emergência e apoia diretamente escolas, hospitais e realiza campanhas de vacinação em cooperação com a sociedade civil. Segundo Subramanian, os benefícios dessas ações revertem para toda a sociedade quando há presença da ONU.

Apesar dessas iniciativas, o Sudão do Sul enfrenta instabilidade crescente. O tenente-general alertou que o país está hoje “perigosamente mais próximo de uma guerra civil” do que há cinco ou seis anos. O acordo de paz firmado em 2018, que encerrou um conflito responsável por quase 400 mil mortes, segue sob pressão após novos desentendimentos entre o presidente Salva Kiir e seu vice, Riek Machar, em março deste ano.

Outro desafio apontado por Subramanian é a disseminação de desinformação, que se tornou uma ameaça significativa à missão. Desde 2022, campanhas com informações falsas, especialmente em redes sociais, alegam que a Unmiss estaria apoiando facções armadas, relatos que a missão nega veementemente.

Para o comandante, mesmo diante de críticas e desafios, as missões de paz da ONU permanecem como um dos principais instrumentos internacionais para alcançar a paz em contextos de conflito. Ele avalia que a retirada dessas missões sem alternativa equivalente seria um grave erro.