Da redação
Apesar de ser apontado como favorito do empresariado para disputar a Presidência neste ano, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem gerado pouca mobilização entre altos executivos e empresários para uma eventual candidatura. Na sexta-feira (23), Tarcísio reiterou que não concorrerá ao Planalto e prometeu apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), dificultando o diálogo com o setor privado que o incentiva a entrar na corrida presidencial.
Empresários ouvidos pela Folha relatam que o governador mantém distância das discussões eleitorais e não promove encontros sobre o tema, embora parte do empresariado ainda acredite em uma possível mudança de cenário, dependendo do desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. “Acredito que Tarcísio não se lançará candidato sem o aval de Bolsonaro. Mas, se Flávio não mostrar força, vejo boas chances de Tarcísio ser indicado”, afirma Antonio Carlos Pipponzi, membro do conselho da RD Saúde.
Segundo o presidente de uma multinacional, o empresariado está dividido: uma minoria defende a ala radical do bolsonarismo, um grupo em declínio aposta em Tarcísio e o restante espera por novos nomes. O avanço do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), como opção independente de Bolsonaro, vem reduzindo o favoritismo de Tarcísio, reforçando a busca por um candidato considerado moderado.
André Esteves, do BTG, é citado como um dos mais entusiastas pela candidatura de Tarcísio, mas não quis comentar. Outros empresários demonstram incômodo com a “subserviência” de Tarcísio à família Bolsonaro, principalmente após oscilar visitas a Jair Bolsonaro e declarar apoio a Flávio. O governador prometeu visitar Bolsonaro preso em 29 de fevereiro.
No debate empresarial, também surgem os nomes de Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Jr., com o segundo ganhando força. “Com Tarcísio focado na reeleição em São Paulo, a centro-direita migrará para Ratinho Jr.”, avalia o banqueiro Ricardo Lacerda. Para Fabio Barbosa, ex-presidente da Febraban, cresce o desejo por um candidato moderado, enquanto Laercio Cosentino, da Totvs, ressalta a necessidade de pacificação e propostas claras para o país.





