Com quórum desfalcado, Copom decide se mantém Taxa Selic


Da redação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza nesta quarta-feira (28) sua primeira reunião de 2025 para definir a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Analistas de mercado projetam a manutenção da taxa, mesmo com a recente queda do dólar, devido à inflação pressionada especialmente pelo setor de serviços.

A decisão será anunciada no início da noite e ocorre com dois desfalques: os mandatos de Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Paulo Pichetti (Política Econômica) expiraram no fim de 2025, e as indicações de substitutos pelo presidente Lula devem ocorrer apenas após a volta do Congresso em fevereiro. O Copom já sinalizou na ata de dezembro que manterá a Selic em 15% por tempo prolongado para garantir a convergência da inflação à meta.

O IPCA-15 de outubro ficou em 0,2%, acumulando alta de 4,5% em 12 meses, no teto da meta. O IPCA cheio de novembro será divulgado nesta quarta. Segundo o boletim Focus, a estimativa de inflação para 2025 recuou para 4,4%, pouco abaixo do limite máximo permitido pelo regime de metas contínuas (4,5%).

A taxa Selic é referência para o custo do crédito e o rendimento de aplicações financeiras. Taxas elevadas ajudam a conter a inflação, mas freiam a atividade econômica, enquanto cortes tornam o crédito mais barato e estimulam produção e consumo. Analistas do Focus preveem manutenção da Selic pelo menos até março, ainda que a queda do dólar tenha aumentado as apostas em redução no curto prazo.

Desde janeiro de 2025, a meta contínua de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O Banco Central prevê, em relatório divulgado em dezembro, que o IPCA encerrará 2026 em 3,5%. A atualização dessa projeção será divulgada no final de março.