MPF instaura inquérito para investigar rajadas de tiro do Exército na fronteira e morte de indígena


Da redação

O Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas abriu um inquérito civil para investigar um tiroteio envolvendo militares do Exército na fronteira com a Colômbia, que resultou na morte do indígena hupda Sandro Barreto Andrade, 19 anos, e deixou outro indígena ferido. Segundo relatos de testemunhas, o episódio, ocorrido na noite de 8 de junho ao longo do rio Papuri, região da Terra Indígena Alto Rio Negro, envolveu 52 disparos de fuzil e 2 de revólver. A área está próxima a São Gabriel da Cachoeira (AM), na região conhecida como Cabeça do Cachorro.

O inquérito foi instaurado na segunda-feira (26) e publicado no Diário Oficial do MPF na quarta-feira (28), após demanda de organizações indígenas. Testemunhas afirmaram em reuniões que os disparos partiram de militares do 1º Pelotão Especial de Fronteira (PEF) e atingiram um grupo de quatro hupdas que pescavam na área; dois foram atingidos, um morreu e outro ficou ferido.

O Exército nega ligação direta com a morte e ferimento dos indígenas. Em nota, o Comando Militar da Amazônia afirmou que a ação foi uma reação em “legítima defesa a injusta agressão” durante um suposto confronto com narcotraficantes em quatro embarcações, por volta das 22h30 do dia 8, durante patrulhamento de rotina. Os militares alegam que os tiros responderam a ataques recebidos.

O Ministério da Saúde informou que o indígena ferido foi atendido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro, estabilizado e transferido para Manaus, a 1.100 km de distância, onde permanece em boas condições clínicas. Funai e Ministério da Saúde não confirmaram se há relação direta entre as vítimas e o tiroteio.

Relatos de equipes que visitaram o local apontaram a presença de marcas de balas em árvores e pedras. Indígenas criticaram a demora do Exército para remover o corpo e o envio dele à comunidade Vila Fátima.