Da redação
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a devolução à Justiça Federal de São Paulo da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o empresário Nelson Tanure, acusado de uso de informações privilegiadas (insider trading) na construtora Gafisa. A decisão foi tomada após Toffoli afirmar não haver relação entre este caso e as investigações sobre o Banco Master, conforme publicado inicialmente por O Globo e confirmado pela Folha de S.Paulo.
A denúncia do MPF foi apresentada em dezembro de 2023 e remetida ao STF na semana passada. Segundo a Procuradoria, Tanure teria utilizado estruturas societárias com offshores e o fundo Singular Plus para ocultar sua participação na Gafisa e realizar operações dissimuladas com a Upcon. O empresário Gilberto Benevides, então acionista controlador da Upcon, também é alvo da acusação.
De acordo com o MPF, Tanure e Benevides teriam feito movimentações financeiras para inflar o valor de mercado da Upcon antes da sua aquisição pela Gafisa, em 2019 e 2020, permitindo assim um maior recebimento de ações com poder de voto. Um aporte de R$ 150 milhões realizado em fevereiro de 2020 teria elevado a valorização da Upcon em quase 1.400%.
A defesa de Tanure afirmou nesta quarta-feira (28) que o empresário tem “décadas de experiência” e nunca havia sido acusado de práticas ilícitas nas empresas das quais participa. Destacou ainda que a CVM não identificou irregularidades na operação, que foi amplamente debatida entre os acionistas, e que a Polícia Federal não encontrou indícios de crime.
No início deste mês, Tanure foi alvo de buscas na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. A investigação policial mira suposta gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Tanure é investidor de empresas como Prio, Dia e Gafisa.





