Em vez de ‘reconstrução’ do país, Lula deve usar discurso antissistema em 2026


Da redação

O presidente Lula (PT) avalia adotar um discurso “antissistema” para sua campanha de reeleição, trocando o slogan de “reconstrução” por uma retórica mais crítica ao mercado financeiro. A ideia, considerada por aliados uma forma de fortalecer seu apelo eleitoral, tem como alvos principais grandes operadores do mercado, bilionários que se opõem à distribuição de renda e grupos econômicos privilegiados, além de sócios do crime organizado envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro.

Esse novo posicionamento busca disputar com o bolsonarismo a narrativa sobre o que é o “sistema”. Enquanto Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados usam o termo para atacar a elite política e judiciária, Lula mira segmentos econômicos que, segundo ele, resistem a medidas de justiça social, como a taxação de super-ricos e o fim de benefícios tributários. Investigações como a operação Carbono Oculto e o escândalo do Banco Master têm sido usadas para reforçar essa linha discursiva.

A mudança tem apoio de ministros como Sidônio Palmeira (Comunicação) e Guilherme Boulos (Secretaria Geral), enquanto Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) pedem cautela para evitar atritos com o setor privado. Em artigo, Palmeira afirmou: “Quem dele se beneficia herdou privilégios e quer deixá-los para as próximas gerações. Ao tomar lado e peitar o sistema, o governo do Brasil se lançou ao desafio de um novo projeto”.

Entre as ações apresentadas pelo governo estão a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, a taxação dos super-ricos, medidas como Gás do Povo e Reforma Casa Brasil, e mudanças para baratear a carteira de motorista. Boulos foi designado para viajar pelo país divulgando estas iniciativas, no programa “Governo do Brasil na Rua”.

A comunicação de Lula também trocou o slogan para “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”, em agosto de 2023. Durante evento em que citou as investigações do Banco Master, Lula deu sinais do possível novo tom de seus discursos, voltando suas críticas aos privilégios e à elite econômica, buscando se posicionar como opositor do “sistema”.