Brasileiros em Minnesota relatam medo do ICE e estão há semanas sem sair de casa


Da redação

Brasileiros que vivem em Minnesota relatam medo e tensão diante do aumento da presença do ICE, a polícia de imigração dos EUA, desde dezembro. André (nome fictício), que mora próximo a Minneapolis, conta que permaneceu 29 dias trancado em casa com a esposa e um primo, evitando sair após relatos de carros parados por horas em frente a prédios e agentes circulando pelas ruas.

André, sem inglês fluente e sem status migratório regular, está há três anos no estado, onde trabalha na construção civil. Segundo o censo dos EUA, cerca de 2.500 brasileiros vivem em Minnesota — 0,05% da população local, bem menos que os 110 mil registrados na Flórida. Após ver conhecidos serem detidos, ele decidiu permanecer em casa, recebendo alimentos de amigos com situação regular no país. “Na rua, eu sei que eles estão pegando e vão me pegar. Em casa, eu tenho certeza de que eles não vão arrebentar minha porta”, relatou.

Com o fim das reservas financeiras, André voltou a sair de casa após quase um mês confinado. Ele relata que os agentes do ICE mudaram a abordagem após a morte de um americano durante operação. “Eles ficam quietos, esperando aparecer alguém”, afirma.

A tensão também afeta quem está legalmente no país. Katia Mitchell, 53, cidadã americana há quase três décadas, evita locais de grande movimento por medo de suspeitas devido ao sotaque. “Hoje eu tenho medo. Só saio com passaporte e outros documentos. Quero ter mais provas se me pararem”, diz.

Katia apoia famílias brasileiras e hispânicas em situação irregular, fazendo entregas de alimentos nas portas dos apartamentos. A experiência, segundo ela, é emocionalmente exaustiva. “Você ajuda, mas sai tremendo”, resume. A rede de solidariedade cresce em meio ao clima de medo.