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Mais de 150 menores brasileiros nos EUA foram apreendidos pela imigração em 2025, aponta base


Da redação

De janeiro a outubro de 2025, ao menos 157 menores de idade brasileiros foram apreendidos por agentes de imigração nos Estados Unidos, segundo dados do governo americano analisados pela Folha a partir do Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia. Do total, 142 foram encaminhados para centros de detenção do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) e 114 deixaram o país no período analisado.

Os menores apreendidos incluem desde bebês nascidos em 2024 até adolescentes de 16 e 17 anos. A maioria dos casos envolve detenções familiares realizadas em instalações como o South Texas Family Residential Center, em Dilley, onde 29 menores brasileiros foram registrados, e o Karnes County Residential Center, ambos no Texas. Não há informações completas sobre se as crianças estavam acompanhadas de adultos, mas parte das instalações não aceita menores desacompanhados.

O caso de permanência mais longa registrado foi o de um menino nascido em 2023, que ficou 44 dias detido em Dilley entre julho e setembro de 2025, sendo deportado em 3 de setembro. Episódios como o do equatoriano Liam Conejo Ramos, de cinco anos, detido com o pai em janeiro de 2026 no mesmo centro, motivaram protestos contra as operações anti-imigração do governo Donald Trump.

Na análise dos dados, 84 menores foram detidos em operações do ICE, e outros 73 por outras forças, principalmente o CBP (Serviço de Alfândega e Proteção das Fronteiras), em sua maioria no Texas. Meninos correspondem a 89 dos casos e meninas a 68. Entre os detidos pelo ICE, 53 foram encontrados em Boston, MA, onde há uma grande comunidade brasileira.

O tempo de detenção variou de horas a até um mês. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, 93 menores brasileiros foram deportados entre fevereiro e dezembro de 2025. Outros 43 menores ainda estavam nos EUA no momento da extração dos dados, quase metade com processos migratórios ativos. O Itamaraty informou que não recebe dados do ICE e só pode prestar assistência consular se for acionado pelos próprios detidos ou familiares.