Oásis de estabilidade na América Central, Costa Rica vai às urnas em meio a crise de segurança


Da redação

A Costa Rica realiza eleições neste domingo (2) em meio à pior crise de segurança de sua história recente. O país, antes considerado oásis de estabilidade na América Central, viu a taxa de homicídios atingir 16,7 a cada 100 mil habitantes em 2025, com 873 assassinatos – quase igual ao recorde de 905, registrado em 2023, segundo autoridades locais. A violência, atribuída em parte ao uso da Costa Rica como rota do narcotráfico, tornou-se o principal tema da campanha: 40% dos eleitores apontam a criminalidade como maior problema do país.

A deterioração da segurança aconteceu durante o governo do presidente Rodrigo Chaves, que chega ao fim sem tentar a reeleição – a Constituição proíbe mandatos consecutivos. Sua ex-chefe de gabinete Laura Fernández, do PPSO, lidera a disputa com 43,8% das intenções de voto, conforme levantamento do Ciep (Centro de Investigação e Estudos Políticos da Universidade de Costa Rica). Como a legislação exige 40% para vitória em primeiro turno, ela pode ser eleita já neste domingo.

A fragmentação favorece Fernández: entre os 20 candidatos, nenhum adversário ultrapassa 10% das intenções de voto. O mais próximo é Álvaro Ramos, do PLN, com 9,2%. No entanto, 25,9% dos eleitores permanecem indecisos, segundo o Ciep; a pesquisa tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Laura Fernández promete manter a política de “linha-dura” de Chaves e tenta ampliar sua base na Assembleia Legislativa, também renovada neste domingo, para promover reformas constitucionais voltadas ao combate ao crime. A candidata apoia interferências no Judiciário, que chama de entrave à luta contra o crime organizado.

Fernández recebeu apoio público do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, famoso por medidas rigorosas contra gangues. “Se a próxima gestão der continuidade aos projetos desse governo, não duvido que os melhores dias da Costa Rica estão por vir”, disse Bukele em vídeo divulgado em setembro. Apesar das críticas, Chaves segue inspirado no modelo salvadorenho, tendo iniciado em janeiro a construção de presídio similar ao de El Salvador.