Da redação
O debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 promete ser um dos temas mais acalorados do Congresso Nacional em 2024, ano eleitoral. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende transformar a mudança na carga horária dos trabalhadores em bandeira de campanha, enquanto oposição e Centrão buscam estratégias para reagir sem arriscar a perda de votos.
A proposta do governo é fixar a nova escala de trabalho em 5×2, ou seja, cinco dias de trabalho para dois de folga, no lugar do atual regime 6×1. O movimento encontra resistência principalmente de empresários e associações dos setores de comércio, indústria, serviços e agronegócio, que temem aumento nos custos operacionais com a mudança.
Essas entidades têm pressionado bancadas temáticas e lideranças partidárias em busca de alternativas. Entre as opções discutidas, está a alteração da Constituição para permitir que trabalhadores escolham entre o regime tradicional da CLT, com até 44 horas semanais, ou um modelo mais flexível, com remuneração proporcional ao número de horas trabalhadas.
Segundo fontes ouvidas pelo PlatôBR, o plano seria viabilizado por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) protocolada para 2025, de autoria do deputado Mauricio Marcon (PL-RS) e apoiada por outros 179 deputados do Centrão e direita. O texto garante aos aderentes ao novo regime os mesmos direitos da CLT de maneira proporcional, incluindo férias, 13º salário e FGTS.
A avaliação entre empresários e parlamentares é que o debate público e no Congresso tende a ser difícil durante 2026, diante da prioridade dada por Lula ao tema. Para muitos deputados e senadores, votar contra uma jornada mais leve pode ser prejudicial eleitoralmente, restando como saída apoiar uma solução alternativa mais palatável ao eleitorado.






