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Indígenas protestam contra exploração de rios amazônicos para exportação de grãos


Da redação

Centenas de indígenas protestam há duas semanas em frente ao terminal portuário da Cargill, no Norte do Brasil, contra a dragagem e exploração dos rios amazônicos para exportação de grãos. Cerca de 700 indígenas de 14 comunidades participaram da manifestação nesta sexta-feira (informação da Amazon Watch), bloqueando a entrada e saída de caminhões do terminal, conforme confirmou a Cargill à AFP.

As lideranças indígenas denunciam a expansão portuária e as ameaças ao modo de vida tradicional. “O governo vem abrindo nossos territórios para muitos empreendimentos (…) para potencializar o agronegócio”, afirmou Auricelia Arapiuns, em vídeo de Santarém. Eles exigem a revogação de um decreto assinado por Lula em agosto de 2023, que torna os principais rios da Amazônia prioritários para navegação de carga e portos privados, além do cancelamento de edital de licitação federal, publicado em dezembro, para dragagem do Rio Tapajós.

Alessandra Korap, líder do povo Munduruku, declarou: “Essa infraestrutura não é espaço para a gente, e nunca vai ser. É um projeto de morte, para matar o nosso rio e os nossos locais sagrados”. Os indígenas também criticam a ausência de consulta prévia, promessa feita na COP30, realizada em 2023 em Belém.

O Ministério de Portos defende que a dragagem é necessária para a segurança e previsibilidade da navegação. O Ministério dos Povos Indígenas reconheceu a legitimidade das preocupações e que nenhum projeto pode ser imposto sem consentimento das comunidades. No entanto, Gilson Tupinambá afirmou: “Não queremos consulta, queremos revogar esse decreto”.

O Ministério Público Federal alertou sobre graves riscos ambientais, incluindo liberação de metais pesados e destruição de habitats de espécies ameaçadas, como botos, tartarugas e aves aquáticas, e move ações judiciais para tentar barrar as obras.