Da redação
A nova versão de Dona Beja, lançada pela HBO Max, adota um tom adulto e explícito, deixando claro desde os primeiros episódios que não se trata de uma produção tradicional. A série aposta no erotismo, exposições de conflitos de classe e uma protagonista marcada por dor, vingança e sobrevivência. Grazi Massafera se destaca ao interpretar a personagem principal, imprimindo intensidade e vulnerabilidade ao revisar o mito histórico sem amenizar o drama.
Visualmente, Dona Beja impressiona pelo cuidado estético. A fotografia e o figurino reforçam o peso histórico, enquanto a direção de arte apresenta cenários ricos em detalhes, transportando o espectador para o período retratado. Cada cena é cuidadosamente composta, contribuindo para uma narrativa sensorial e envolvente.
Em cena, Grazi Massafera entrega uma atuação madura e multifacetada, oscilando entre doçura e coragem ao desafiar o moralismo da época. A atriz contrasta sua personagem com a vilã Arminda, de Três Graças, consolidando sua versatilidade em papéis distintos em diferentes produções.
No entanto, a narrativa enfrenta problemas de ritmo e montagem. A edição, responsável por garantir a continuidade emocional das cenas, às vezes prejudica o fluxo com cortes abruptos, dificultando a imersão do público. A coesão entre as sequências, fundamental para o impacto da trama, acaba comprometida por essas escolhas técnicas.
A escalação de atores adultos como versões jovens das personagens também prejudica a verossimilhança, desviando a atenção do público do enredo. Apesar desses pontos, Dona Beja se destaca como uma produção corajosa e sofisticada, que, com ajustes de ritmo e montagem, tem potencial para se consolidar entre as revisitações das lendas nacionais.







