Da redação
As disputas eleitorais na Paraíba levaram o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a buscar uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Motta tenta se reeleger deputado federal e eleger o pai, Nabor Wanderley, ao Senado, contando com o apoio do petista, que venceu Jair Bolsonaro no estado em 2022. No entanto, a relação enfrenta dificuldades graves.
Em reunião de líderes nesta segunda-feira, 9, Motta mostrou irritação com o governo. O deputado afirmou sentir-se traído pelo Planalto no episódio do aumento dos salários e dos penduricalhos dos servidores. A proposta, aprovada de forma rápida e pouco transparente na primeira semana de trabalhos da Câmara e do Senado, teve apenas os votos contrários registrados. Motta declarou não aceitar mais ser responsabilizado sozinho por desgastes e criticou ministros de Lula, além da comunicação do Planalto.
“Acabou o Motta amiguinho”, disse o deputado durante a reunião, batendo na mesa, conforme um dos presentes. Ele também afirmou estar cansado de campanhas em perfis governistas que classificam a Câmara como “inimiga do povo” e avisou que não aceitará mais “pagar por coisas que a Câmara não deve”. Segundo relatos, Motta disse: “A Câmara não será mais a inimiga do povo sem ser”.
O presidente da Câmara destacou que a Casa é o poder com menos cargos que podem extrapolar o teto constitucional e afirmou que o acordo sobre o reajuste salarial fazia parte de uma série de compromissos, incluindo projetos de interesse do governo, como o fim da jornada 6×1, prioridade do Planalto.
Após a repercussão negativa do projeto dos supersalários, Lula foi aconselhado por petistas a vetar a proposta. O líder do governo, José Guimarães (PT-CE), reconheceu publicamente a existência do acordo. Mesmo assim, Motta manteve o clima de desconfiança. Quando Guimarães pediu a retirada de pauta do projeto Redata, de autoria de Motta, o presidente da Câmara negou e confirmou sua votação nesta terça-feira, 10.





