Da redação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu o ano eleitoral com o anúncio de um pacote de R$ 2,7 bilhões para a reforma agrária, após cobranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Planalto sinalizou reaproximação ao anunciar desapropriações em São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de um acordo judicial no Paraná.
A meta até o fim de 2026 é assentar e regularizar 295 mil famílias pelo programa Terra da Gente, lançado em abril de 2024. No fim de janeiro, o governo decretou sete imóveis rurais como de interesse social, somando aproximadamente 5,7 mil hectares: Fazenda Três Irmãos (Palmeira d’Oeste, SP); Fazenda Santa Fé (Gália e Ubirajara, SP); Fazenda Cascimba (Apiaí, SP); Fazenda Nova Alegria (Felisburgo, MG); Horto Florestal Cesa Vitória das Missões (Vitória das Missões, RS); Fazenda Santa Cecília I e II (Nova Olímpia, MT); Fazenda Floresta (Tangará, São José do Campestre, Boa Saúde e Serra Caiada, RN).
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion (Republicanos), disse à Gazeta do Povo: “É o governo, mais uma vez, falando para a própria bolha, à revelia dos produtores rurais, que são os responsáveis pelo setor mais importante da nossa economia. Só faz aumentar a insegurança jurídica e fragilizar o direito de propriedade no país”.
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou que 2026 concentrará a “maior entrega” de desapropriações deste terceiro mandato de Lula. A declaração foi dada no programa Bom dia, ministro, da EBC, em 20 de janeiro. Segundo ele, novos assentamentos e desapropriações entre fevereiro e março atenderão mais de 26 mil famílias ligadas ao MST.
Teixeira disse que o governo precisou reconstruir a política agrária: “O Ministério do Desenvolvimento Agrário foi extinto no governo Michel Temer (MDB). O governo seguinte, de Jair Bolsonaro (PL), pegou todo o estoque de terras, entregou aos grandes fazendeiros e estimulou a violência no campo, armando os grandes fazendeiros”. Ele atribuiu a concentração das ações neste ano eleitoral, em que Lula será o candidato da esquerda na tentativa de um quarto mandato, à estruturação de recursos: “Dos quatro anos, a maior entrega vai ser em 2026, porque nós viabilizamos recursos orçamentários e extra-orçamentários com destinação à reforma agrária”.








