Da redação
A partir desta quarta-feira, a comunidade internacional se reúne em Marraquexe, Marrocos, para a 6ª Conferência Mundial sobre a Erradicação do Trabalho Infantil. O encontro discutirá as causas profundas de um problema que atinge 138 milhões de crianças e busca avançar a meta 7 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8, sobre trabalho decente.
Em entrevista de Genebra à ONU News, a diretora do Departamento de Governo e Tripartitismo da OIT, Vera Paquete-Perdigão, afirmou: “A conferência, ela mesma, é um momento de partilha de boas práticas. É um momento de poder-se criar melhores conexões entre diferentes regiões do mundo e ver como é que os diferentes países podem abordar a questão. O que é boa prática num pode não ser no outro, mas há algo sempre para partilhar.”
Será apresentada a campanha “cartão vermelho ao trabalho infantil”. Segundo Paquete-Perdigão, a iniciativa “foi já promovida há algum tempo, há mais de 10 ou 20 anos… e é retomada aqui na lógica de basear-se numa metáfora inspirada do desporto”, sinalizando “tolerância zero e a mobilização universal”: “para demonstrar que chega. Para demonstrar um stop… não se pode aceitar e continuar a aceitar o trabalho infantil.”
A OIT aponta cerca de 87 milhões de crianças trabalhadoras na África, 21% do total, e 61% do trabalho infantil na agricultura; acima de 59 milhões atuam no continente africano. Paquete-Perdigão destaca a necessidade de focar a agricultura, ampliar o acesso à educação e vincular o combate ao trabalho infantil à proteção social, citando “por volta de 1,8 milhões” de crianças sem acesso. Ela também defende formalização do trabalho e emprego digno para os pais, inclusive entre pequenos produtores.
Segundo a OIT, em quatro anos houve redução de 20 milhões de meninos em situação de trabalho infantil. A agência busca garantir trabalho decente para adultos e famílias, promover a ratificação universal da Convenção 138 e fortalecer a implementação da Convenção 182. A conferência também refletirá sobre o fato de que um terço das crianças em trabalho infantil não frequenta a escola e não está coberto por proteção social.








