Da redação
O acidente que matou um motociclista em São Paulo ganhou destaque pelo veículo envolvido: a picape Tesla Cybertruck. O modelo, que chegou ao Brasil por importação independente, recebe críticas desde que foi apresentado por Elon Musk, em 2019.
Com formas retilíneas e cheias de quinas, a Cybertruck pode ampliar danos em colisões. Além disso, seu marketing foi construído em torno da ideia de indestrutível, o que não é pertinente diante dos avanços da indústria automotiva, que prioriza estruturas que amassam por fora e preservam o interior. As zonas de absorção de impacto dissipam a energia da batida e buscam reduzir riscos à vida — inclusive em atropelamentos, quando áreas com deformação programada podem evitar mortes e traumatismos.
Há veículos mais letais que outros, e isso não depende apenas do porte. Um SUV compacto moderno tende a ser menos agressivo que um hatch dos anos 1990, graças a itens de segurança ativa e passiva. Porém, o avanço tecnológico elevou o peso dos carros. Um BYD Dolphin Plus (elétrico) pesa 1.658 kg, cerca de 200 kg a mais que um Volkswagen Taos (flex), de 1.456 kg. O problema é maior na Cybertruck.
Além da carroceria rígida e com formas potencialmente mais danosas a vítimas de atropelamento, a Cybertruck é 100% elétrica, carrega grande volume de baterias e pode chegar a 3.000 quilos. Para comparação, uma Ford Ranger 2.0 XLS, de porte similar e motor a diesel, pesa 2.183 quilos.
Mesmo um carro vendido por cerca de R$ 1,5 milhão no Brasil oferece salvaguardas como frenagem autônoma de emergência e controles de tração e estabilidade. Ainda assim, em situações fora de controle, a física se impõe. Nos testes da NHTSA, a Cybertruck teve boas notas para ocupantes, mas a avaliação não considera impactos em pedestres, ciclistas e motociclistas.








