Início Política ‘Abertura’ de rios e Moratória da Soja enfraquecida ligam alerta entre ambientalistas

‘Abertura’ de rios e Moratória da Soja enfraquecida ligam alerta entre ambientalistas

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Da redação

A ampliação das hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, junto com as mudanças no licenciamento ambiental e o esvaziamento da Moratória da Soja, intensificou a preocupação de ambientalistas e lideranças indígenas com o avanço da soja na Amazônia. A nova regra de licenciamento ambiental, que entrou em vigor na última semana, facilita a liberação de obras e dispensa licença formal em certos casos, permitindo dragagens e adaptações nos rios para expandir o transporte de grãos.

Paralelamente, a Moratória da Soja, acordo firmado em 2006 para impedir a compra de soja oriunda de áreas desmatadas após 2008, perdeu força após o anúncio da saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) em janeiro. A decisão ocorreu após uma lei em Mato Grosso restringir benefícios fiscais para empresas que assumem compromissos ambientais além das exigências legais.

No nível federal, trechos desses rios localizados na região Norte foram integrados a um programa de concessões à iniciativa privada, abrindo espaço para exploração comercial das hidrovias. Ambientalistas veem a medida como uma consolidação dos rios como corredores de exportação pelo Arco Norte.

A reação ao avanço do setor foi imediata. Há cerca de três semanas, indígenas ocupam a entrada do terminal de grãos da Cargill em Santarém (PA). Lideranças Munduruku e Tupinambá participam de reuniões em Brasília com representantes da Funai, do Ministério dos Povos Indígenas e da Casa Civil, enquanto o protesto se mantém.

O governo argumenta que o transporte fluvial reduz emissões ao substituir caminhões por grandes embarcações. Ambientalistas contestam, afirmando que o benefício ambiental pode ser anulado pelo aumento do desmatamento estimulado pela facilidade do escoamento. Segundo o Comitê da Moratória da Soja, entre 2009 e 2022 o desmatamento caiu 69% nos municípios monitorados, enquanto a área plantada com soja aumentou 344%. Com o enfraquecimento do pacto, organizações ambientais temem nova pressão sobre a floresta.