Da redação
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), enfrenta uma crise na sua chapa para o Senado após desentendimentos entre os pré-candidatos André Moura (União) e Alessandro Vieira (MDB). A rivalidade ganhou novo capítulo esta semana, quando Alessandro afirmou em entrevista, em 11 de fevereiro, que André dormia temendo ser acordado pela polícia, em referência à condenação de Moura por peculato, revertida por um acordo sigiloso com a PGR em 2023.
Aliados de Alessandro dizem que ele busca preservar a imagem do grupo e evitar desgaste eleitoral, enquanto apoiadores de André consideraram a fala um ataque pessoal com objetivo de inviabilizar sua pré-candidatura. Em resposta, André declarou publicamente que o episódio ultrapassa limites da política e que não há mais condições de dividir palanque com Alessandro, citando respeito à sua família. Seus aliados mobilizaram até a Câmara de Vereadores de Aracaju, que aprovou moção de repúdio inédita contra o senador.
Para interlocutores do governador, o caso rompeu um pacto de não-agressão firmado meses antes, pressionando Mitidieri a arbitrar o conflito e tentando evitar a fragmentação do bloco governista. O governador comunicou a André que pretende ter uma conversa presencial nos próximos dias, que deve contar também com seu pai, Luiz Mitidieri, secretário da Casa Civil. À rádio FanFM, Fábio declarou: “Entendo que aquilo incomoda mesmo, foi desnecessário. Ele desrespeitou a chapa, desrespeitou a todos nós. Espero que reconheça isso”.
Com duas vagas ao Senado em disputa em 2026, o impasse pode beneficiar outros nomes da base governista, como Rogério Carvalho (PT) e Edvaldo Nogueira (PDT), inicialmente preteridos. Entretanto, qualquer reaproximação com o PT esbarra em antigas tensões locais e exigiria reconstrução de alianças, segundo aliados do governador.
A decisão final sobre a chapa ao Senado deve envolver o presidente da República, com quem Mitidieri planeja se reunir em março. Apesar de afirmar à CartaCapital que não pretende mudar a composição para atender a pleitos externos, integrantes da base reconhecem que a escolha dependerá da conciliação entre interesses locais e a estratégia nacional do governo federal.








