Da redação
Desde o início da era dos satélites, as frequências de rádio têm sido fundamentais para a exploração espacial, sustentando comandos de satélite, transmissões científicas e sistemas de navegação. Em entrevista à ONU News, o chefe de Serviços Espaciais da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Alexandre Vallet, definiu as ondas radiofônicas como a “corrente sanguínea” da atividade espacial moderna.
Vallet destacou que a demanda por frequências de rádio deve crescer diante da nova fase de exploração lunar, com Estados Unidos e China planejando bases permanentes na Lua. Segundo ele, a próxima conferência sobre regulamentos de rádio, prevista para o fim de 2027, debaterá, pela primeira vez, um quadro regulatório para o espectro lunar. “É preciso um bom equilíbrio entre comunicação e a proteção do espectro para fins científicos”, afirmou.
O especialista alertou que a presença de grandes potências pode ameaçar a Zona Protegida da Lua, criada nos anos 1970 para proteger o lado escuro do satélite de interferências. Isso é vital para observações de frequências baixas, impossíveis na Terra devido à atmosfera e ao ruído de rádio. Já existem projetos para a instalação de radiotelescópios na Lua, disse Vallet.
A UIT revisa o Tratado Internacional das Regulações de Rádio a cada quatro anos. Recentemente, diante da urgência das mudanças climáticas, foram alocadas frequências adicionais para sensores espaciais sensíveis, essenciais para monitorar condições atmosféricas. “Esses sensores são muito sensíveis à interferência de rádio, motivo pelo qual criamos regras extras para protegê-los”, explicou Vallet.
Ele destacou que, com a economia espacial se diversificando, incluindo Data Centers espaciais, turismo, mineração e manufatura em órbita, as frequências de rádio são ainda mais imprescindíveis. Os sistemas orbitais – geoestacionária, terrestre média, baixa e órbitas elípticas – cumprem funções vitais, formando uma arquitetura de comunicação sustentada por coordenação internacional.








