Início Política Os recados à PF na gravação vazada do Supremo

Os recados à PF na gravação vazada do Supremo

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Da redação

Durante uma sessão secreta do Supremo Tribunal Federal (STF) que culminou na saída de Dias Toffoli do inquérito do Banco Master, ministros expressaram abertamente sua insatisfação com a atuação da Polícia Federal (PF) no caso. O vazamento das conversas expôs severas críticas dirigidas ao relatório entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a Edson Fachin no início da semana.

O ministro Alexandre de Moraes classificou a investigação como “ilegal” e um “absurdo”. Kassio Nunes Marques também foi enfático e declarou: “Isso é um absurdo: o juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil.”

André Mendonça, escolhido novo relator do caso Master após a saída de Toffoli, questionou as provas reunidas pela PF sobre a suposta relação do ministro com Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. “Tem uma questão sobre o que é descrito como relação íntima do ministro Toffoli e Vorcaro. Isso não existe. Está aqui claro que não existe: relação íntima em 6 anos só com 6 minutos de conversa? Como disse o ministro Fux, a palavra do ministro Toffoli tem fé pública”, afirmou Mendonça.

Outros ministros também se manifestaram. Cristiano Zanin declarou: “Isso aqui tudo é nulo”. Já Gilmar Mendes apontou que o relatório seria uma retaliação da PF a decisões de Toffoli desfavoráveis à corporação. Flávio Dino, ex-ministro da Justiça e responsável pela pasta à qual a PF é subordinada, afirmou: “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente.”

A redistribuição do processo não encerra a crise, podendo ser apenas o início de um embate institucional mais amplo entre STF e Polícia Federal.