Da redação
O Ministério Público Federal (MPF) abriu na terça-feira (10) uma investigação sigilosa para apurar possíveis tentativas de aliciamento de mulheres brasileiras envolvendo o criminoso sexual Jeffrey Epstein. O procedimento foi instaurado após a denúncia de uma troca de e-mails entre Epstein e uma brasileira, ocorrida em 2010, na qual tratavam de uma viagem de uma mulher de Natal, descrita como de “família simples”, aos Estados Unidos. Nos e-mails, Epstein pediu fotos da brasileira de biquíni ou sutiã, mas não é possível saber, pelas mensagens, o objetivo da viagem ou se ela realmente ocorreu.
Segundo a procuradora da República Cinthia Gabriela Borges, o objetivo do MPF é “analisar todas as situações em que mulheres brasileiras possam ter sido aliciadas e tentar identificar se havia redes de aliciamento no país”. O caso foi encaminhado à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes, órgão especializado do MPF responsável por centralizar investigações e ações judiciais nessa área.
A investigação não se limitará ao caso de Natal. Na segunda-feira (9), a BBC News Brasil revelou que Epstein manteve relações pessoais com modelos brasileiras, ajudando financeiramente algumas e possivelmente empregando-as como assistentes. Conversas por e-mail identificadas desde 2006 mostram pedidos de fotos, convites para festas em São Paulo, remessas de dinheiro e sugestão para apresentação de outras mulheres a Epstein. As mensagens não informam a idade das envolvidas.
O MPF afirmou que vai acompanhar a divulgação de arquivos sobre Epstein, liberados pelo governo americano, buscando novas menções a brasileiras. Mensagens obtidas pela reportagem também indicam que brasileiras visitaram a mansão de Epstein nos Estados Unidos.
A BBC News Brasil revelou ainda que um parceiro de Epstein discutiu, via e-mail, planos de comprar uma revista de moda no Brasil para facilitar o contato com garotas, inclusive menores de idade, contando com um intermediário no país.








