Da redação
No sábado (14), o Bloco Aparelhinho celebrou 15 anos de existência em Brasília, consolidando sua trajetória como movimento cultural que reinventa o carnaval de rua e valoriza a ocupação do espaço público na capital federal. Inspirado pelas aparelhagens do Pará, o bloco nasceu de um som eletrônico montado em um carrinho alegórico, levado por ruas onde a folia era considerada inexistente.
Fundado por DJs como Rafael Ops e Rodrigo Barata, o grupo evoluiu do equipamento empurrável montado na marcenaria da Universidade de Brasília (UnB) para uma estrutura tecnológica nas cores azul e laranja. Em entrevista à Rádio Nacional FM, Rafael Ops destacou o “amor à cidade e às ruas”, explicando que o carrinho foi projetado para ocupar marquises, túneis e calçadas, e teve ampla aceitação já em seu primeiro desfile, em 2012.
O bloco sofreu diversas transformações: versões de madeira, ferro, online durante a pandemia, charrete, trio elétrico e carreta. Atualmente, conta com apoio da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização. O incentivo financeiro deve continuar até 2026, impulsionando o público diverso e a formação de novos foliões.
A publicitária Bruna Daibert, presente desde a primeira edição, ressaltou a importância de ocupar o espaço urbano no carnaval: “É importante formar esse novo público para o carnaval ocupar até o meio das quadras”, disse, defendendo a festa mesmo diante de críticas sobre barulho e sujeira. Problemas com restrições em áreas residenciais já provocaram cancelamentos, como o do bloco Galinho de Brasília em 2023.
O repertório é comandado pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, com convidados como Biba, Mica e Pororoca DJs, e inclui remixes variados de músicas brasileiras e do mundo. O evento se propõe democrático e inclusivo, mas enfrenta desafios de acessibilidade, destacando críticas como a da dentista Fabiana Montandon sobre buracos na pista e falta de rampas.








