Da redação
A Acadêmicos de Niterói inaugurou os desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Carnaval do Rio de Janeiro, com um enredo centrado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o tema “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, criado pelo carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo, a escola exaltou episódios da trajetória do petista, mencionando sua mãe, Dona Linda, a migração do Nordeste ao Sudeste, e o famoso refrão “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Também houve referências ao número 13 e ao jingle “Lula, lá”, em plena proximidade das eleições presidenciais de outubro.
O desfile abordou temas caros ao presidente e ao PT, como soberania nacional, defesa dos pobres e trabalhadores e o enfrentamento à elite. Alas representaram a migração nordestina, o sindicalismo no ABC Paulista e a luta pela democracia, além do combate à fome e à valorização do amor. A obra “Ainda Estou Aqui”, vencedora do Oscar, foi citada para relembrar a ditadura militar. O ator Paulo Vieira interpretou Lula na avenida, enquanto o presidente acompanhava a homenagem do camarote da Prefeitura do Rio ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), chegando a descer para cumprimentar integrantes da escola.
O desfile também trouxe sátiras políticas. O ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu caricaturado como o palhaço Bozo, vestido de presidiário e usando tornozeleira eletrônica. Conservadores, inclusive evangélicos, foram ilustrados em latas de conserva. Na comissão de frente, o palhaço Bozo contracenou com uma representação de Michel Temer, que entregava a faixa presidencial tirada de Dilma Rousseff ao personagem Lula.
A primeira-dama Janja da Silva, prevista para um dos carros alegóricos, desistiu de última hora e foi substituída por Fafá de Belém, após recomendação jurídica do governo para evitar risco eleitoral. O desfile provocou reações opostas: apoiadores consideraram a homenagem “espontânea”, enquanto a oposição buscou a Justiça e o TCU, diante de acusações de propaganda antecipada.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula, acusou o presidente de autopromoção com recursos públicos. “Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada”, disse nas redes, afirmando que acionará o TSE. Neste ano, o governo federal, por meio da Embratur, destinou R$ 12 milhões às escolas do Grupo Especial, sendo cerca de R$ 1 milhão para a Acadêmicos de Niterói.








