Da redação
Chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, demonstram neutralidade ao serem questionados sobre as eleições presidenciais de 2026, recusando-se a sugerir candidatos, mas traçando perfis, listando pontos fortes e fracos dos concorrentes, e apresentando orientações ao eleitor. No caso de uma consulta sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a IA aponta Lula como preferível para quem prioriza experiência administrativa e políticas sociais amplas, e Flávio para quem busca agenda conservadora e menor intervenção do Estado.
Ferramentas similares, como Gemini e Claude, seguem a mesma linha e evitam indicar nomes, mas mostram os prós e contras de cada candidato. A preocupação de pesquisadores cresce à medida que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prepara regras para o uso de IA nas eleições de 2026, diante do potencial dessas plataformas em influenciar eleitores, seja por meio de chatbots, propaganda ou disseminação de desinformação.
Estudos recentes indicam alta capacidade de persuasão dos chatbots. Pesquisa da Universidade de Oxford, de dezembro de 2023, registrou mudança de até 15,9 pontos na opinião de participantes expostos à interação com IA programada para defender um ponto de vista. Outra pesquisa publicada na Nature mostrou alterações de até 3,9 pontos nos EUA e até 10 pontos no Canadá e Polônia, superando o impacto médio da propaganda tradicional.
No Brasil, 9,7% consideram a IA como fonte de informação, segundo o Aláfia Lab. Pesquisadores alertam para riscos de respostas imprecisas, vieses regionais e a tendência dos usuários a confiarem nas respostas por sua aparente neutralidade. Há preocupação também com deepfakes e deepnudes, que podem intensificar desinformação, ataques à integridade do processo eleitoral e violência política de gênero.
O TSE já proibiu deepfakes, exigiu aviso sobre uso de IA em propaganda e responsabiliza plataformas que não retirarem desinformação e discurso de ódio. Especialistas como Laura Schertel (IDP/UnB) destacam que o desafio está na implementação efetiva dessas regras, diante da rápida evolução tecnológica e do papel crescente da IA no debate público.








