Da redação
A abordagem dos Estados Unidos sobre a exploração de terras raras e minerais críticos no Brasil pode aumentar a tensão em torno do acordo entre Mercosul e União Europeia. Executivos do setor mineral e especialistas em Relações Internacionais apontam que o tratado prevê salvaguardas e regras específicas para esses minerais, essenciais para a produção de baterias, ímãs, tecnologias de energia renovável e sistemas militares.
O debate ganhou força após a coletiva de imprensa da última quarta-feira, 11, quando Caleb Orr, secretário assistente de Estado para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais do governo Donald Trump, declarou que Washington vê o Brasil como um “parceiro muito promissor” e manifestou interesse em apoiar o desenvolvimento de cadeias de refino e processamento desses minerais no país. Atualmente, essas etapas são dominadas pela China.
Segundo representantes do setor mineral e analistas do tratado Mercosul-UE, o ponto mais sensível é o mecanismo específico para o comércio dessas matérias-primas, consideradas estratégicas no cenário geopolítico global. A União Europeia, também interessada nos minerais brasileiros, aceitou condições favoráveis ao Brasil para incluir o tema no acordo e estabeleceu salvaguardas que podem ser acionadas se o comércio desses minerais for considerado desfavorável ao país.
A possível aproximação do Brasil com um bloco liderado pelos EUA no setor de minerais críticos pode mudar o atual equilíbrio do acordo. O interesse internacional se intensifica pelo uso dos minerais raros não só na indústria tecnológica, mas também na de defesa, como sistemas militares, satélites e drones. “Os minerais fazem parte da equação do tabuleiro geopolítico mundial”, explicou Claudio Finkelstein, doutor em direito e comércio internacional pela PUC-SP.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, o que amplia seu peso estratégico nas negociações com diferentes blocos econômicos.








