Da redação
O secretário-geral da ONU, António Guterres, cobrou nesta segunda-feira (16) o fortalecimento do compromisso global para acabar com o domínio colonial em todo o mundo. Em discurso lido por seu chefe de Gabinete, Courtenay Rattray, na abertura da sessão de 2026 do Comitê Especial sobre Descolonização (C-24), Guterres ressaltou que a descolonização é um objetivo central da Organização das Nações Unidas desde sua criação.
Desde 1945, mais de 80 ex-colônias, totalizando cerca de 750 milhões de pessoas, conquistaram a independência. No entanto, 17 Territórios Não Autônomos permanecem sob controle colonial, abrigando quase dois milhões de habitantes. Esses territórios incluem desde o Saara Ocidental, na África, até pequenas ilhas no Caribe e no Pacífico.
Guterres destacou os impactos negativos do colonialismo, afirmando que o legado inclui “mecanismos enraizados de exploração econômica, racismo, desigualdade e exclusão persistente dos órgãos de tomada de decisão”. O C-24 foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 1961 para acompanhar o progresso da independência desses territórios, cumprindo o mandato da Declaração de 1960 sobre a Concessão da Independência aos Países e Povos Coloniais.
O secretário-geral chamou atenção para as ameaças climáticas enfrentadas pelos territórios insulares remanescentes, como aumento do nível do mar, erosão costeira e eventos climáticos extremos, que ameaçam infraestruturas, turismo e pesca locais. Guterres pediu que “resiliência e adaptação” sejam centrais nas discussões do Comitê.
Por fim, Guterres estabeleceu três prioridades para o processo de descolonização: promover o diálogo inclusivo entre territórios, potências administradoras e Estados-membros; fortalecer o papel central dos jovens; e reforçar a urgência da ação climática, especialmente para os territórios insulares em risco.








