Da redação
Um estudo recente destaca o potencial de bactérias encontradas em cavernas subterrâneas na busca por novos antibióticos. O trabalho ganhou importância diante do aumento global de patógenos multirresistentes, que dificultam o tratamento de infecções comuns e elevam taxas de mortalidade. Tradicionalmente, antibióticos eram extraídos de solos rurais e ambientes superficiais, mas a descoberta de novas classes químicas vem diminuindo, tornando urgente a busca por alternativas inovadoras.
A pesquisa focou na exploração de genes bacterianos capazes de produzir estruturas moleculares inéditas, com ação potencial contra cepas resistentes a medicamentos convencionais. Para isso, a equipe utilizou ferramentas de bioinformática a fim de identificar clusters de biossíntese de produtos naturais (BGCs) no genoma sequenciado das bactérias coletadas.
Genes selecionados passaram por expressão heteróloga em cepas-modelo, permitindo a produção laboratorial dos compostos candidatos. Esses extratos foram submetidos a testes in vitro, onde a atividade antibacteriana foi avaliada por meio da determinação das concentrações mínimas inibitórias (CMI) contra diferentes bactérias-padrão.
O estudo evidencia como o uso combinado de sequenciamento metagenômico, análise computacional e biologia sintética pode acelerar o desenvolvimento de substâncias promissoras. Os próximos passos incluem testes pré-clínicos, avaliações de toxicidade e otimização das moléculas, visando garantir eficácia e segurança em organismos superiores.
A pesquisa abre caminho para a exploração de novas cavernas e ambientes subterrâneos, ampliando o repertório de genes bioativos. Segundo os autores, a expectativa é de que, em médio prazo, novos antibióticos resultantes desses esforços possam chegar ao mercado, fortalecendo o combate à resistência antimicrobiana.








