Da redação
A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo barbeiro ou por alimentos contaminados, é responsável por graves problemas cardíacos. No Hospital de Base de Brasília, cerca de 90% dos pacientes que recebem marcapasso apresentam complicações cardíacas decorrentes da enfermidade. Segundo o cirurgião cardíaco José Joaquim Vieira Junior, chefe do ambulatório de marcapasso do hospital, a fase crônica da doença costuma ser assintomática, dificultando o diagnóstico e aumentando os riscos cardíacos.
Entre 2023 e 2025, o Hospital de Base de Brasília realizou 1.942 procedimentos cardíacos, incluindo implantes ou trocas de marcapasso, ablações, estudos eletrofisiológicos e cardioversões terapêuticas. “Independentemente do diagnóstico do chagásico, tratamos os pacientes pelos sinais e sintomas que podem levar à morte. Muitas vezes, o diagnóstico só ocorre anos após o início do tratamento”, afirmou Vieira Junior.
No mesmo período, em Salvador (BA), estima-se que 1.361 procedimentos de marcapasso podem estar relacionados à doença de Chagas, segundo a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Entretanto, o sistema de saúde local registra apenas a complicação principal, dificultando a precisão sobre a origem chagásica dos quadros cardíacos.
No Pará, em 2023, foram registrados 408 casos da doença, e em 2026, o município de Ananindeua confirmou 42 casos e quatro óbitos, levando à decretação de surto pela doença. Segundo boletim do Ministério da Saúde divulgado em junho de 2025, o Brasil notificou 5,4 mil casos crônicos de Chagas em 710 municípios — 42% dos pacientes apresentavam cardiopatias.
A fase aguda da doença pode causar febre, fraqueza, dor de cabeça e inchaço em rosto e pernas. O Ministério da Saúde recomenda medidas preventivas, como proteção contra o barbeiro em residências e higienização rigorosa dos alimentos.






