Da redação
O governo da Guatemala anunciou nesta quarta-feira (18) que solicitou ao Ministério Público uma investigação sobre a suposta participação da procuradora-geral Consuelo Porras em adoções ilegais durante a década de 1980, conforme apontado por um grupo de especialistas da ONU. A denúncia foi protocolada pela Procuradoria-Geral da Nação (PGN), órgão que representa judicialmente o Estado.
A ONU, em comunicado divulgado na segunda-feira em Genebra, requisitou uma apuração independente das alegações. Segundo os relatores, Porras atuava como diretora, administradora e “tutora” de um lar estatal para menores em 1982, período marcado por irregularidades em adoções internacionais de crianças indígenas, principalmente durante a guerra civil guatemalteca (1968-1996).
O procurador Julio Saavedra, chefe da PGN, afirmou em coletiva que a denúncia ativa mecanismos legais “para que os fatos sejam investigados com independência, objetividade e respeito ao devido processo”. Ele informou ainda que solicitou ao Ministério Público a inclusão da PGN como assistente de acusação.
Consuelo Porras, de 72 anos, rejeitou categoricamente as acusações, classificando-as como “espúrias”. Ela pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que revise e esclareça as alegações. No mesmo dia da denúncia, Porras não obteve sucesso em sua tentativa de ser eleita magistrada da Corte de Constitucionalidade, cargo que concederia imunidade.
A procuradora-geral é sancionada pelos Estados Unidos e União Europeia, sob acusações de corrupção e ações antidemocráticas, ao abrir processos contra ex-funcionários antimáfia, jornalistas e líderes sociais, e por tentativa, há dois anos, de impedir a posse do presidente Bernardo Arévalo.






