Da redação
Um estudo científico publicado no Journal of Royal Society Interface, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo jornal britânico Guardian, alerta que o aumento global das temperaturas deve ampliar o número de infecções pelo vírus Chikungunya, transmitido por mosquitos e responsável por dores debilitantes nas articulações. A pesquisa aponta que a infecção, comum em regiões tropicais e responsável por milhões de casos anuais, poderá se espalhar por mais 29 países, incluindo grande parte da Europa.
A situação no sul da Europa é considerada a mais alarmante, com Albânia, Grécia, Itália, Malta, Espanha e Portugal sob maior risco de epidemias. O vírus é transmitido principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que prosperam em ambientes quentes. Até o momento, países mais ao norte do continente não enfrentam o mesmo risco, mas, segundo o autor principal da pesquisa, Sandeep Tegar, citado pelo Guardian, “é apenas uma questão de tempo” até que isso se altere.
Os cientistas concluíram que a temperatura mínima para infecção pelo vírus no Aedes albopictus é de apenas 2,5°C, nível bem inferior ao indicado por estudos anteriores, que apontavam um mínimo entre 16°C e 18°C. Já a máxima varia entre 13°C e 14°C. Esses dados indicam que o risco de surtos poderá abranger mais regiões e se prolongar por períodos maiores do que se previa.
Segundo a Dra. Diana Rojas Alvarez, da OMS, que lidera a equipe sobre vírus transmitidos por insetos e carrapatos, a Chikungunya pode causar artrite ou dores agudas em até 40% dos pacientes por até cinco anos. Ela defende o controle dos mosquitos e campanhas de prevenção, como eliminação de água parada e o uso de roupas adequadas e repelentes.
O principal autor do estudo, Sandeep Tegar, destaca que a pesquisa fornece ferramentas para que autoridades locais saibam onde e quando agir, enquanto os especialistas alertam para a necessidade da criação de sistemas de vigilância em saúde pública diante do novo cenário imposto pelas mudanças climáticas.






