Início Distrito Federal Crochê como terapia inovadora nos Caps AD do DF contra dependência química

Crochê como terapia inovadora nos Caps AD do DF contra dependência química


Da redação

A dependência química, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é tratada no Distrito Federal por meio da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde (SES-DF). Entre as ações, destacam-se as oficinas de crochê oferecidas nos Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (Caps AD), usadas como ferramenta terapêutica.

No Caps AD II de Santa Maria, chamado Caps Flor de Lótus, a oficina de crochê é coordenada pela enfermeira Angelita Bandeira. Ela explica que a atividade contribui para o desenvolvimento de habilidades como persistência e resiliência, além de estimular a coordenação motora e conexões neurais. “O crochê é igual à nossa vida: se você começar errado, lá na frente vai dar problema. Então, é melhor parar, respirar, desmanchar, recomeçar”, afirma Bandeira.

A Raps oferece desde atendimento básico nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para casos leves, até 18 Caps voltados a quadros graves, incluindo dependência química. Os Caps funcionam em regime de porta aberta, sem necessidade de encaminhamento, e articulam-se com hospitais e assistência social.

Segundo Adriana Câmara, gerente do Caps AD II, o tratamento vai além da clínica, promovendo autonomia, reconstrução de vínculos familiares e comunitários, reinserção social e redução de estigmas. Além do crochê, são oferecidas oficinas de pintura, horta e grupos de terapia coletiva.

Cerca de 90% dos atendidos no local apresentam abuso de álcool. Câmara destaca prejuízos como perda de vínculos, violência e sobrecarga dos serviços públicos. Alexandre Frazão, em tratamento há 16 anos, relata que o crochê auxilia na concentração. Já Terezinha de Jesus, há 20 anos em tratamento, afirma que o acolhimento fortalece os usuários: “Todo dia é uma batalha”, aconselha.

Com informações da SES-DF