Início Mundo Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudaneses

Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudaneses


Da redação

A guerra no Sudão segue causando deslocamentos em massa e ampliando o que a ONU define como a maior crise humanitária e de deslocamento do mundo. O diretor regional do Acnur para a África Oriental e Austral, Mamadou Dian Balde, afirmou que milhares de pessoas cruzam fronteiras semanalmente, chegando a regiões vulneráveis onde já faltavam serviços e oportunidades antes do conflito. Segundo o Acnur, o Plano Regional de Resposta aos Refugiados do Sudão 2026 destina-se a apoiar cerca de 470 mil novos refugiados esperados nos países vizinhos este ano, além de beneficiar milhares que permanecem em áreas de fronteira com assistência apenas básica.

Três anos após o início do conflito, a violência persiste e o acesso humanitário permanece restrito em várias regiões sudanesas, ressalta o Acnur. O contexto é agravado pela pressão global sobre o financiamento humanitário. O Egito tornou-se o principal destino dos refugiados sudaneses, com o fluxo quase quadruplicando desde 2023, mas cortes orçamentários levaram ao fechamento de dois dos três centros de registro no país, reduzindo o suporte disponível. O valor do auxílio caiu para 4 dólares por mês por refugiado em 2025, ante 11 dólares em 2022.

No Chade, 71 mil famílias de refugiados seguem sem abrigo adequado e 234 mil pessoas aguardam relocalização, enquanto vivem em condições precárias. Em Uganda, o fechamento de clínicas e a suspensão de programas de nutrição no assentamento de Kiryandongo elevaram o risco de doenças entre milhares de refugiados sudaneses.

Apesar dos desafios financeiros, a ONU manterá o apoio com serviços essenciais em 2026, priorizando também soluções de médio e longo prazo, como acesso à documentação, sistemas nacionais e incentivo à autossuficiência dos refugiados. O plano inclui investimentos em assentamentos mais adaptáveis na região.

O Acnur alerta que a disparidade crescente entre necessidades e recursos ameaça a resposta humanitária e pede por apoio internacional urgente. Sem uma solução política à vista e com a redução de financiamentos, cada vez mais refugiados optam por rotas perigosas em busca de esperança, inclusive na travessia para a Europa, cujo fluxo quase triplicou em 2023.