Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (19/20), em Nova Délhi, na Índia, uma governança multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento para a inteligência artificial (IA), durante a Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia pode aprofundar desigualdades e fragilizar democracias, destacando a necessidade de reconhecimento das diferentes trajetórias nacionais para garantir que a IA fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.
Segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas digitalmente. Lula afirmou ser urgente colocar o ser humano no centro das decisões sobre IA, já que o regime de governança dessas tecnologias determinará quem fica à margem desse processo. Ele também destacou o caráter dual da IA, que pode ameaçar democracias, contaminar eleições com deepfakes e fomentar práticas nefastas, como discurso de ódio, desinformação e violência contra mulheres.
O presidente defendeu a regulamentação das Big Techs, argumentando que capacidades computacionais, infraestrutura e dados permanecem concentrados em poucos países e conglomerados. Lula criticou o modelo de negócios destas empresas, baseado na exploração de dados pessoais e disseminação de radicalização política, e vinculou a regulação à proteção dos direitos humanos e à integridade da informação.
No Brasil, o debate sobre atração de investimentos em centros de dados e o marco regulatório para IA foi fortalecido, e, em 2025, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial foi lançado para proporcionar serviços públicos mais ágeis e gerar emprego e renda. A cúpula em Nova Délhi integra o Processo de Bletchley iniciado em 2023 no Reino Unido, e marca a primeira participação de um presidente brasileiro em um evento global de alto nível sobre IA.
A visita também reforça laços econômicos entre Brasil e Índia. Em 2025, o comércio bilateral atingiu US$ 15 bilhões, aumento de 25,5% em relação a 2024. Lula e o premiê Narendra Modi já se encontraram quatro vezes em três anos, e discutem expansão das relações econômicas e tecnológicas, desafios do multilateralismo e reforço da governança global.






