Da redação
Uma pesquisa da Universidade Estadual de Goiás (UEG) revelou que moradores de 18 municípios ribeirinhos do Rio Araguaia, em Goiás e Tocantins, estão dispostos a pagar pela conservação ambiental do rio. O estudo apontou uma Disposição a Pagar (DAP) média de R$ 40,41 por pessoa ao mês, valor que pode gerar mais de R$ 64 milhões anuais para ações ambientais, segundo a coordenadora do projeto, professora Joana D’arc Bardella Castro.
O levantamento foi realizado em cidades como Aragarças, Aruanã, Britânia, São Miguel do Araguaia (GO), e Araguacema, Sandolândia, Lagoa da Confusão (TO), entre outras. A DAP foi maior entre mulheres (R$ 42,98) do que entre homens (R$ 37,84). Considerando apenas a população economicamente ativa, o potencial de arrecadação chega a R$ 10,5 milhões por ano. A maioria dos entrevistados aceitaria pagar entre R$ 10 e R$ 20 mensais para conservar o Araguaia.
A equipe analisou a qualidade da água em 34 pontos do rio e encontrou um cenário heterogêneo: enquanto alguns trechos apresentam boa preservação, outros enfrentam níveis preocupantes de poluição, devido ao turismo, ao avanço do agronegócio e ao crescimento urbano sem infraestrutura de saneamento. Áreas críticas foram identificadas em Lagoa da Confusão, Sandolândia, Aruanã, Aragarças e Britânia, com altos índices de poluentes ligados a fertilizantes, esgoto e detergentes.
O estudo também resultou na formação acadêmica de 16 integrantes da UEG e contribuiu com oito iniciações científicas, três dissertações e uma pesquisa de doutorado em andamento. Segundo a professora Giuliana Vila Verde, o projeto amplia a visão interdisciplinar dos participantes e fortalece a conscientização ambiental.
Os resultados foram organizados em um livro, cujo lançamento está previsto para este semestre: “Rio Araguaia: da nascente à foz – aspectos ambientais, valoração e análise de águas”. Pesquisadores alertam para a necessidade urgente de políticas públicas de saneamento e controle da poluição, equilibrando desenvolvimento e preservação ambiental.






