Da redação
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou nesta sexta-feira (20) que monitora “com atenção e cautela” a decisão da Suprema Corte dos EUA de derrubar tarifas impostas globalmente pelo ex-presidente Donald Trump. Segundo levantamento da CNI com dados de 2024 da USITC, a suspensão das sobretaxas de 10% a 40% sobre produtos brasileiros pode impactar as exportações em US$ 21,6 bilhões.
A CNI destacou que a decisão afeta tarifas aplicadas via International Emergency Economic Powers Act (Ieepa), mas permanecem em vigor taxas baseadas em outros instrumentos legais, como a seção 232 da Trade Expansion Act, referentes à segurança nacional, especialmente para aço e alumínio. Taxas contra práticas consideradas desleais também seguem ativas, o que pode gerar novas medidas dos EUA sobre o comércio brasileiro.
A decisão foi comemorada por setores impactados, como o do café. Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), ressaltou que “a decisão reforça a segurança jurídica” e que medidas unilaterais “geram incertezas”. Em janeiro, Cardoso já chamava atenção para a luta do setor contra tarifas sobre o café solúvel, que, à época, seguia taxado.
Também afetados, setores do plástico e pescado se manifestaram. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) afirmou que “a decisão elimina parte da imprevisibilidade” e restaura segurança à relação bilateral, mas alerta sobre a nova tarifa global de 10% anunciada por Trump, com fundamento na Seção 122, autorizando tarifas temporárias por até 150 dias. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) projetou que, se consolidadas as mudanças, as exportações brasileiras de pescado para os EUA podem dobrar.
No setor têxtil, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) afirmou acompanhar “com cautela” os desdobramentos e destacou que tarifas americanas já são elevadas, ressaltando que medidas extras podem comprometer a competitividade das exportações brasileiras.





