Da redação
Jovens do Distrito Federal têm repensado o modelo tradicional de emprego e apostado no empreendedorismo como escolha consciente em busca de autonomia, flexibilidade e melhor qualidade de vida. Dados de 2024 da PNAD Contínua (IBGE) indicam que 19,2% dos empreendedores locais têm entre 18 e 29 anos — cerca de 75,8 mil jovens, com forte atuação no setor de serviços (61,1%).
O perfil desses empreendedores é majoritariamente masculino (63,3%), com presença significativa de pessoas negras (63,7%) e alta informalidade (63,3%). A diretora do Sebrae-DF, Rose Rainha, destaca que os jovens são protagonistas da economia criativa e buscam transformar talento em renda: “Eles transformam criatividade e inovação em negócios sustentáveis”, afirma.
Segundo Flávio Hideo Mikami, especialista do setor, a tendência reflete uma nova percepção do mercado de trabalho. Para ele, “o risco de empreender hoje não parece maior do que depender exclusivamente do emprego formal”. Mikami ressalta que o acesso à tecnologia tornou criar negócios mais acessível e aponta a economia criativa como segmento promissor para essa geração.
Entre os exemplos, está o casal Sarah Atrizia, 23 anos, e Arthur Marques, 22. Estudantes universitários, fundaram o Crescente Studio, estúdio de design e publicidade. Buscam, com o negócio, flexibilidade e autonomia para alinhar carreira e propósito pessoal. “Queríamos um negócio onde fôssemos os cabeças”, diz Arthur. Além dos desafios iniciais, eles destacam a necessidade de aprender diversas funções para consolidar a empresa.
Outro caso é Talita Gabriela Cordeiro, 24, criadora da marca de moda autoral Corinna Baby, em São Sebastião. Unindo referências afro-brasileiras e sustentabilidade, ela destaca a importância da identidade e do significado nas peças, apesar dos desafios de acesso a recursos. “Acredito no empreendedorismo como ferramenta de transformação social”, afirma.







