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Mendonça busca equilíbrio entre recompor relação do STF com a PF e conter abusos


Da redação

O ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), busca equilibrar a relação entre a Corte e a Polícia Federal (PF) após desgastes causados por decisões anteriores do ministro Dias Toffoli. Mendonça restabeleceu a autonomia da PF e autorizou o fluxo normal de perícias, revertendo a limitação imposta por Toffoli, que permitia apenas quatro peritos no acesso a itens apreendidos, como o celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master e principal alvo da operação Compliance Zero.

Menos de 24 horas após assumir o processo, Mendonça reuniu-se com delegados da PF, num gesto visto como tentativa de reaproximação com a corporação. Apesar disso, ele expressou preocupações quanto à conduta da PF nas investigações e determinou que novas apurações sejam previamente solicitadas e autorizadas por sua relatoria, garantindo maior controle judicial.

O ministro também restringiu o compartilhamento de informações das investigações do Master “apenas e tão somente” aos agentes diretamente envolvidos, determinando sigilo inclusive em relação a superiores da PF. A medida foi interpretada como tentativa de evitar vazamentos, e não como afronta ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Na decisão, Mendonça citou texto próprio de 2019 em que defende que agentes sem vínculo direto não devem acessar informações sigilosas, evitando usos políticos e vazamentos. Ele assume protagonismo no STF ao acumular o caso Master e investigações do INSS, em situação comparada à ascensão de Alexandre de Moraes com o inquérito das fake news.

A crise chegou ao ápice este mês, quando a PF entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas com suspeitas de crimes atribuídos a Toffoli, que nega irregularidades. Para uma investigação formal contra Toffoli avançar, é necessária solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) a Mendonça, o que ainda não ocorreu.