Da redação
Integrantes do governo Lula (PT) estão revendo a estratégia de comunicação sobre o caso Master após pesquisas de opinião apontarem a corrupção como uma das principais preocupações dos brasileiros, ao lado da segurança pública. Segundo aliados do presidente, há receio de que as investigações reforcem a percepção pública de que a corrupção é um problema do atual governo, independentemente do partido dos investigados.
Lula vem fazendo declarações incisivas sobre o caso, afirmando que as operações “chegaram aos magnatas do crime” e cobrando a investigação do envolvimento de governos estaduais e do BRB (Banco de Brasília) com o fundo Master. Inicialmente, o Palácio do Planalto via o caso como demonstrativo do combate à corrupção por parte do governo, já que políticos de direita são os principais citados. No entanto, a orientação agora é que ministros evitem envolvimento nas discussões públicas, para não se associarem a eventuais disputas entre o STF e a Polícia Federal.
A medida é reforçada após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que levantou suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, então relator do caso no STF, que, pressionado, deixou a relatoria. Para assessores lulistas, a substituição de Toffoli por André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL), deve afastar suspeitas de interferência governista.
Aliados de Lula defendem que o combate à corrupção seja tratado como uma ação contínua do Estado, e não como agenda política. Eles sugerem que o governo foque em temas como a taxação de setores de alta renda para políticas sociais, estratégia que teria rendido ganhos nas redes sociais em 2025.
Embora haja preocupação com o impacto das investigações na imagem do governo, assessores frisam que o objetivo não é frear o trabalho de órgãos como Banco Central, PF e Receita Federal. O PT, historicamente marcado tanto pela defesa da ética quanto por escândalos como mensalão e Lava Jato, segue enfrentando acusações de corrupção e dificuldades para recuperar a confiança de setores sensíveis a esse debate.





