Da redação
A oposição na Câmara dos Deputados articula uma ofensiva para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do STF, apostando no fim dos sigilos sobre informações do governo e do Judiciário. O objetivo é cobrar do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que paute a proposta. Segundo o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), a estratégia será definida em reunião nos próximos dias com demais partidos oposicionistas.
Os deputados estudam se vão retomar projetos antigos que contestam os sigilos ou apresentar um novo texto. “Nossa intenção é pressionar politicamente, porque se trata de uma imoralidade”, afirmou Gilberto Silva ao PlatôBR. O tema deve ser explorado especialmente pelo fato de Lula, em 2022, ter prometido reverter sigilos impostos por Jair Bolsonaro, mas vir impondo novas restrições, como sobre a agenda da primeira-dama, Janja da Silva, comunicações diplomáticas e despesas com cartões corporativos.
No início do mandato, Lula deu 30 dias para a Controladoria-Geral da União reavaliar os sigilos do governo anterior. Porém, a manutenção de segredos em tópicos diversos se tornou alvo de crítica. Caso Hugo Motta não agilize a tramitação da proposta, a oposição pretende levar o tema a debates em comissões, discursos no plenário e outros canais de divulgação, com objetivo de potencializar o uso eleitoral da discussão.
O próprio Motta foi alvo recente de sigilo ao ter os custos de viagens em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) protegidos pela restrição de informação. Para o cientista político Gabriel Jubran, apesar do baixo potencial de avanço do projeto este ano, o debate deve marcar as eleições de 2024, especialmente em caso de polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Jubran avalia que o tema deve reaparecer como ponto central nas campanhas, com Flávio Bolsonaro criticando Lula por ter repetido a prática de sigilo, antes atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro.




