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S&P Global: decisão da Suprema Corte não muda perspectiva de rating ou projeção de PIB dos EUA


Da redação

A S&P Global afirmou nesta segunda-feira, 23, que a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar as tarifas globais recíprocas não deve alterar significativamente suas perspectivas para o rating americano. Em relatório divulgado hoje, a agência destacou que a medida tampouco impacta projeções para o Produto Interno Bruto (PIB), crescimento de empregos ou taxas de juros do Federal Reserve (Fed), mesmo com o anúncio de novas tarifas pela Seção 122.

Segundo a S&P, a derrubada das tarifas impostas via Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não reduz a incerteza política, que segue elevada e é considerada um dos principais riscos para as condições globais de crédito e possível fator de volatilidade dos mercados em 2026. Como exemplo, o relatório cita a alíquota de 15% para todos os países, anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, menos de 24 horas após a decisão da Suprema Corte.

A agência estima que a tarifa média dos EUA está atualmente em 15%, o segundo maior nível desde 1946, atrás apenas da média prevista entre 17% e 19% em 2025. “O governo permanece claramente comprometido com as tarifas, mas o alvo deverá mudar para produtos específicos, mantendo as tarifas elevadas por múltiplos canais. A composição exata das alíquotas pode variar conforme prioridades políticas”, diz o texto.

A S&P também ressalta que ainda não está claro como as empresas poderão recuperar as tarifas pagas sob a IEEPA, devendo recorrer à justiça para buscar reembolsos. Para a agência, as companhias americanas continuarão enfrentando custos mais altos de produção e importação, com os impactos tarifários pressionando margens de lucro e dificultando o repasse de preços aos consumidores.

No cenário internacional, a decisão dá mais espaço para exportadores, beneficiando especialmente a China no curto prazo. Apesar disso, a S&P observa que dificilmente a reconfiguração global provocada pelas tarifas pode ser revertida amplamente, mantendo ativa a regionalização das cadeias de comércio.