Da redação
Desde o início da invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, mais de 15 mil pessoas foram mortas e pelo menos 41 mil civis ficaram feridos, segundo a Missão da ONU para monitoramento dos direitos humanos no país. A ofensiva militar forçou milhares de ucranianos a abandonarem suas casas, destruindo infraestrutura e edifícios em várias regiões. O tema será debatido nesta terça-feira (23) no Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, com a presença do secretário-geral António Guterres.
Segundo a ONU, 2025 e os primeiros meses do ano registraram o maior número de mortes civis desde o início do conflito, superando os totais de 2023 e 2024 juntos. Ataques sistemáticos a redes de energia e infraestrutura agravam a situação, principalmente durante o inverno rigoroso, que tem registrado temperaturas abaixo de zero, chegando a menos 20°C. Muitos ucranianos enfrentam interrupções severas no fornecimento de energia, como relata Yana, colaboradora do Unops em Kyiv, que dispõe de apenas uma hora de eletricidade estável por dia.
No setor de saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) documentou um aumento de 20% nos ataques a entidades de saúde em 2023 comparados a 2024. Desde 2022, foram registrados 2.882 ataques a postos de saúde, afetando profissionais, ambulâncias e estoques de medicamentos e equipamentos. O Unops destaca o esgotamento de famílias e instituições diante dos anos de guerra e da constante incerteza.
Relatórios da Missão das Nações Unidas apontam graves violações do direito internacional humanitário, especialmente pelas autoridades russas, com virtual impunidade. Há relatos de execuções de civis e militares ucranianos, aumento de execuções de prisioneiros de guerra no fim do ano passado e casos de violência sexual. Maus-tratos a detidos também foram documentados do lado ucraniano, principalmente em 2022.
O secretário-geral António Guterres classificou a guerra como “uma mancha na consciência coletiva e uma ameaça à paz e segurança regional e internacional”. Ele reiterou o pedido da ONU por um cessar-fogo incondicional e por uma solução política pacífica baseada na Carta da ONU.






