Da redação
Um relatório divulgado nesta quarta-feira (25) pela ONG Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) apontou a morte de 129 profissionais de imprensa no exercício da profissão ao longo do ano passado, o maior número já documentado pelo comitê em mais de três décadas de registro.
Segundo a entidade sediada em Nova York, dois terços dessas mortes (86) foram atribuídas às Forças de Defesa de Israel. A maioria dos assassinatos (104) ocorreu em zonas de conflito, concentrando-se em cinco países: Israel (86 mortes), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3), que juntos somaram 84% do total.
O relatório destaca que, apesar do aumento dos assassinatos de jornalistas na Ucrânia e no Sudão, a maior parte dos casos envolve vítimas palestinas. O CPJ reforça que “os conflitos armados atingiram níveis históricos em todo o mundo”, refletindo também no número recorde de jornalistas mortos.
A organização aponta a impunidade como um dos principais fatores para o aumento dos assassinatos: “O crescente número de mortes de jornalistas em todo o mundo é alimentado por uma cultura persistente de impunidade para ataques à imprensa: muito poucas investigações transparentes foram conduzidas”, afirma o CPJ.
Jodie Ginsberg, presidente da entidade, alerta que esses crimes acontecem em um momento crítico para o acesso à informação. “Os ataques à imprensa são um dos principais indicadores de ataques a outras liberdades. Todos nós estamos em risco quando jornalistas são mortos por veicular uma notícia”, ressalta. O Comitê lembra ainda que “os assassinatos de jornalistas violam o direito internacional humanitário”, uma vez que os profissionais de imprensa são considerados civis e não devem ser alvos deliberados.






