Da redação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira, após quatro dias de consultas, as recomendações para a composição das vacinas contra a influenza que deverão ser usadas na temporada de gripe do Hemisfério Norte de 2026-2027. A decisão foi tomada com base em dados globais de vigilância, considerando que, anualmente, a influenza sazonal causa cerca de 1 bilhão de infecções, incluindo de 3 a 5 milhões de casos graves e entre 290 mil e 650 mil mortes respiratórias.
A atualização periódica da vacina é necessária devido à mutação constante dos vírus da gripe. Segundo a OMS, as recomendações orientam agências reguladoras e a indústria farmacêutica mundial a desenvolver e licenciar as vacinas, de modo que estas sejam eficazes contra os vírus com maior potencial de circulação, garantindo melhor proteção contra quadros graves e mortes. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, ressaltou: “Riscos compartilhados exigem ação compartilhada”, destacando o trabalho diligente dos especialistas.
Em agosto de 2025, a variante J.2.4.1 do vírus AH3N2, também chamada de subclado K, espalhou-se rapidamente pelo mundo, antecipando a temporada de gripe em diversos países e elevando o nível de atividade em várias regiões. O subclado K passou a representar a maior parte dos vírus relatados. No geral, os vírus da influenza A predominaram, com variantes de AH3N2 e AH1N1, enquanto os casos de influenza B foram mínimos e desde março de 2020 não há registros do vírus B/Yamagata.
Os especialistas também examinaram casos de infecção por vírus da gripe em animais, cuja transmissão para humanos é um risco potencial de pandemias. Desde 23 de setembro de 2025, foram notificadas à OMS 25 infecções humanas por influenza zoonótica em seis países, relacionadas principalmente ao contato com animais infectados. Nenhuma transmissão entre pessoas foi registrada.
Ao final da reunião, os especialistas recomendaram que o vírus AH9N2, responsável por gripe aviária endêmica em aves domésticas na Ásia, África e Oriente Médio, passe a ser candidato para desenvolvimento de vacina, devido à ocorrência de infecções esporádicas, geralmente leves, em humanos.






