Da redação
O governo brasileiro avalia que a possível mudança de regime no Irã, após a morte do aiatolá Ali Khamenei, tende a se aproximar do cenário vivido pelo Iraque em 2003, e não da transição pacífica observada na Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início deste ano.
Segundo funcionários do Planalto e do Itamaraty, é improvável uma transição tranquila no Irã e a chance de que um aliado dos EUA assuma o poder, mantendo o canal de Hormuz aberto e facilitando a entrada de empresas americanas no setor de petróleo e gás, é considerada remota. Ao contrário da Venezuela, onde a líder interina Delcy Rodríguez tem cooperado com Washington, o grupo no poder em Teerã — formado por lideranças religiosas e a Guarda Revolucionária — é visto como mais ideológico e hostil aos americanos e israelenses.
Uma fonte do governo brasileiro prevê alta probabilidade de caos social e guerra civil no Irã, cenário semelhante ao pós-invasão americana no Iraque. A avaliação é que a intervenção de EUA e Israel deve causar grande destruição, pois várias lideranças do regime ainda podem ser alvejadas, e os possíveis sucessores também seriam alvo desses países. No domingo (1º), intensificaram-se os bombardeios a Teerã, atingindo estruturas militares, inteligência, a TV estatal e residências de oficiais.
Autoridades do Brasil observam que os EUA e Israel estão eliminando as lideranças da Guarda Revolucionária, centro do poder iraniano, o que pode deixar cerca de 300 mil homens armados sem comando — segundo uma fonte, “um ingrediente para o caos, como no Iraque”.
O governo brasileiro também duvida que a população conseguirá tomar o poder, como tem sugerido Donald Trump, já que não há oposição organizada no Irã e o acesso à informação está comprometido devido ao bloqueio da internet. Cerca de cem brasileiros vivem atualmente em Teerã, e outros cem em diferentes localidades do país, sendo a maioria mulheres casadas com iranianos.






