Da redação
Desde que Delcy Rodríguez assumiu o comando do regime venezuelano há quase dois meses, mudanças profundas vêm sendo promovidas nos bastidores do governo. Mesmo defendendo publicamente a libertação de Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos ao lado de sua esposa, Cília Flores, Delcy tem afastado aliados tradicionais do chavismo, promovendo trocas no alto escalão, reestruturando as Forças Armadas e extinguindo programas sociais emblemáticos do regime.
A saída mais recente foi do procurador-geral Tarek William Saab, que esteve à frente do Ministério Público por nove anos e era visto como peça-chave na repressão a opositores. Sua renúncia foi anunciada por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão de Delcy. Tarek, fundador do partido pelo qual Hugo Chávez venceu as eleições em 1998, foi transferido para a função de defensor do povo.
No setor econômico, Delcy também afastou Alex Saab, empresário colombiano acusado de ser “laranja” de Maduro, da presidência do Centro Internacional de Investimento Produtivo (CIIP). Após divergências com Delcy e a destituição do cargo de ministro da Indústria, Alex foi substituído por Calixto Ortega. Sua esposa, Camila Fabri de Saab, também perdeu o comando do programa “Retorno à Pátria”.
Entre as medidas, Delcy exonerou Magaly Gutiérrez Viña, ex-nora de Cília Flores, e promoveu a troca de generais em pelo menos 12 das 28 regiões militares do país. Segundo a professora Marsílea Gombata, da Faap, as mudanças simbolizam uma tentativa de afastar antigos aliados de Maduro e fortalecer um novo núcleo de poder.
Além das trocas, sete programas sociais e órgãos criados por Maduro e Chávez foram encerrados, incluindo o Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria, fundado em 2013. Especialistas apontam que as mudanças indicam uma tentativa de apagar a influência de Maduro e reconstruir a identidade do regime.






