Da redação
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta quarta-feira (4) que “a posição do governo da Espanha se resume em três palavras: Não à guerra”, evidenciando o atrito entre países europeus e os Estados Unidos após o início da guerra no Irã. A fala ocorreu depois de Donald Trump ameaçar suspender o comércio com a Espanha, em retaliação à decisão de Madri de negar o uso das bases de Rota e Morón para atacar Teerã.
Sánchez declarou ainda que “não seremos cúmplices de algo que é ruim para o mundo e também contrário aos nossos valores e interesses, simplesmente por medo das represálias de alguém”. A postura espanhola difere da do Reino Unido, apesar das críticas de Trump ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por sua posição inicial de não envolvimento nos ataques ao Irã.
Em entrevista ao jornal The Sun, Trump afirmou na terça (3) que a relação entre Reino Unido e EUA “não é mais como antes” e elogiou a cooperação com França e Alemanha. No mesmo contexto, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou na segunda-feira (2) o aumento do arsenal nuclear do país, afirmando: “Para ser livre, é preciso ser temido”.
Keir Starmer, após recusar qualquer papel nos ataques, decidiu permitir o uso de bases britânicas pelos EUA para “propósito defensivo específico e limitado”, mas reiterou que o Reino Unido não participaria de ações ofensivas no Irã. Em resposta às críticas, Starmer destacou que aviões britânicos estão abatendo drones e mísseis “para proteger vidas americanas”.
A posição da Espanha dialoga com memórias da guerra do Iraque em 2003 e os atentados de 2004 em Madri. Sánchez utiliza o lema “Não à guerra”, ecoando protestos do passado e buscando agradar o eleitorado de esquerda diante de eleições e escândalos que atingem seu governo.






