Da redação
O Corinthians está sob investigação do Ministério Público após transferir mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo a João Odair de Souza, conhecido como Caveira, responsável pelo setor de segurança do clube entre 2018 e 2023. As transferências ocorreram nas gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, mas a maior parte do valor não tem comprovação formal por notas fiscais ou recibos, o que motivou o aprofundamento das apurações.
O clube apresentou planilhas internas com registros das retiradas, analisadas pelo promotor responsável. Com atualização dos valores pela inflação, o total ultrapassa R$ 7,3 milhões. Os documentos indicam retiradas múltiplas em determinados dias, incluindo valores expressivos e quantias menores, o que revela movimentação frequente ao longo dos anos.
Segundo o Ministério Público, o objetivo é identificar o destino dos recursos e apurar possíveis irregularidades administrativas ou criminais. Caveira admitiu, em entrevista à imprensa, que realizava pagamentos em espécie a seguranças autônomos, frequentemente policiais de folga, contratados para jogos, eventos e situações de risco. Ele justificou a ausência de notas fiscais devido à natureza freelancer dos profissionais e alegou que sempre enviou relatórios ao setor financeiro sem sofrer questionamentos do Conselho Fiscal.
Além de Caveira, outros ex-funcionários estão sendo investigados, entre eles Denilson Grillo, ex-motorista da gestão Duilio, que recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie em três anos. O Ministério Público suspeita que empresas de fachada possam ter sido usadas para justificar despesas, investigando eventual desvio de recursos.
Atualmente, Caveira é investigado formalmente em um dos inquéritos, mas ainda não prestou depoimento. A investigação segue em andamento, com cruzamento de documentos, planilhas e movimentações financeiras pelo Ministério Público.






