Da redação
Dois terços de Cuba, incluindo Havana, ficaram sem energia elétrica nesta quarta-feira (4), após uma falha na rede nacional, informou a União Nacional Elétrica (UNE). O apagão, que começou às 12h41 no horário local (14h41 de Brasília), afetou dez das 15 províncias do país, agravando ainda mais a crise econômica que atinge os 9,6 milhões de habitantes da ilha. Segundo a UNE, a causa foi uma avaria na caldeira da usina Antonio Guiteras, localizada a cerca de 100 km da capital.
O Ministério de Energia e Minas afirmou, na rede social X, que “todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já estão ativados”. Cuba enfrenta cortes programados diários de eletricidade e sofreu cinco apagões generalizados desde o final de 2024. Em Havana, há registros de cortes superiores a 10 horas, enquanto nas províncias podem durar mais de um dia.
Desde que o governo Donald Trump intensificou o bloqueio energético após a queda de Nicolás Maduro, aliado de Havana, e pressionou pela interrupção do envio de petróleo venezuelano, os cortes se agravaram. Sem navios petroleiros desde 9 de janeiro, o governo de Miguel Díaz-Canel adotou medidas como suspensão da venda de diesel, racionamento de gasolina e redução no atendimento hospitalar.
O apagão desta quarta-feira agravou a insatisfação popular. “É imprevisível quando será restabelecida [a eletricidade] e é bem trabalhoso só de pensar nessa situação”, disse à AFP Beatriz Barrios, de 47 anos, do setor de turismo. Alfredo Menéndez, aposentado de 67 anos, afirmou: “Estamos vivendo assim, na incerteza… isso já não é vida”.
Os cortes de energia também impactaram o transporte público, elevaram preços de táxis e alimentos e reduziram a oferta de serviços. O governo cubano responsabiliza as sanções dos EUA pela crise no setor elétrico, enquanto economistas citam falta crônica de investimento estatal.






